Síndrome do pôr do sol
- Eloy Bezerra
- 15 de mar.
- 5 min de leitura

A Síndrome do pôr do sol (em inglês sundowning ou sundown syndrome) é um fenômeno comportamental observado principalmente em pessoas com demência, sobretudo na Doença de Alzheimer. Caracteriza-se por aumento da confusão, agitação, irritabilidade, ansiedade ou comportamento agressivo no final da tarde e início da noite.
Embora ainda não exista uma única causa definida, estudos em neurologia e neuropsiquiatria indicam que o fenômeno ocorre por alterações neurobiológicas associadas ao envelhecimento cerebral e às doenças neurodegenerativas, principalmente ligadas ao ritmo circadiano, neurotransmissores e áreas reguladoras do sono e da orientação temporal.
1. Alteração do relógio biológico (ritmo circadiano)
O mecanismo mais aceito envolve disfunção no Núcleo supraquiasmático, localizado no Hipotálamo.
Esse núcleo funciona como o “relógio central do cérebro”, regulando:
ciclo sono–vigília
secreção hormonal
temperatura corporal
níveis de alerta ao longo do dia
Nas demências ocorre:
degeneração neuronal nessa região
perda da sincronização com a luz ambiental
alteração na produção de Melatonina
Consequência
O cérebro perde a capacidade de reconhecer que é noite, gerando:
confusão temporal
inquietação
desorganização comportamental no final do dia.
2. Redução da melatonina
A Melatonina é o hormônio responsável por preparar o organismo para o sono.
Em pessoas com Doença de Alzheimer ocorre:
redução significativa da secreção noturna
atraso no pico de liberação
menor sensibilidade dos receptores
Resultado
pior qualidade do sono
aumento da agitação noturna
maior probabilidade de desorientação ao entardecer.
3. Degeneração do sistema colinérgico
A demência também provoca perda de neurônios no Núcleo basal de Meynert, que produz Acetilcolina.
A acetilcolina é essencial para:
atenção
orientação espacial
processamento sensorial
Quando os níveis caem:
o cérebro tem dificuldade em interpretar estímulos ambientais
a iluminação reduzida do fim da tarde aumenta a confusão perceptiva.
4. Sobrecarga cognitiva ao final do dia
Durante o dia o paciente com demência utiliza grande esforço cognitivo para:
interpretar estímulos
reconhecer pessoas
manter orientação
Ao final do dia ocorre fadiga cerebral, levando a:
irritabilidade
menor capacidade de autorregulação
aumento de comportamentos agitados.
5. Alterações sensoriais e ambientais
No entardecer acontecem mudanças ambientais importantes:
diminuição da luz natural
aumento de sombras
mudança de rotina familiar
Para um cérebro com demência isso pode provocar:
interpretação errada de estímulos visuais
ilusões ou Delirium transitório
sensação de ameaça ou insegurança.
6. Alterações em áreas cerebrais da orientação e emoção
A síndrome também está associada à degeneração de regiões envolvidas na orientação espacial e regulação emocional, como:
Hipocampo → memória e orientação
Amígdala cerebral → processamento emocional
Córtex pré-frontal → controle comportamental
A perda dessas funções gera:
maior ansiedade
menor controle de impulsos
comportamento desorganizado no final do dia.
7. Outros fatores que podem agravar
Alguns fatores clínicos também aumentam a probabilidade da síndrome:
privação de sono
dor não identificada
infecções
efeitos de medicamentos
ambiente com pouca iluminação
mudanças de rotina.
Síntese neurobiológica
A síndrome do pôr do sol pode ser compreendida como resultado da interação entre:
degeneração do relógio biológico (núcleo supraquiasmático)
redução de melatonina
déficit colinérgico cerebral
fadiga cognitiva diária
dificuldade em processar estímulos visuais no entardecer
Essa combinação leva ao aumento da desorganização cerebral justamente na transição entre dia e noite.
✅ Referências científicas
Khachiyants N., et al. Sundown syndrome in persons with dementia: An update. Psychiatry Investigation.
Canevelli M. et al. Sundowning in dementia: clinical relevance, pathophysiological determinants and therapeutic approaches. Frontiers in Medicine.
Alzheimer’s Association – Sundowning.
Musiek ES, Holtzman DM. Mechanisms linking circadian clocks, sleep, and neurodegeneration. Science.
Se desejar, posso também explicar o que acontece no cérebro minuto a minuto no final da tarde que desencadeia o pôr do sol (modelo neurofisiológico usado em neurologia geriátrica). Esse modelo ajuda muito a entender por que a luz e a rotina reduzem os sintomas. 🌇🧠
Síndrome do pôr do sol
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A Síndrome do pôr do sol (em inglês sundowning ou sundown syndrome) é um fenômeno comportamental observado principalmente em pessoas com demência, sobretudo na Doença de Alzheimer. Caracteriza-se por aumento da confusão, agitação, irritabilidade, ansiedade ou comportamento agressivo no final da tarde e início da noite.
Embora ainda não exista uma única causa definida, estudos em neurologia e neuropsiquiatria indicam que o fenômeno ocorre por alterações neurobiológicas associadas ao envelhecimento cerebral e às doenças neurodegenerativas, principalmente ligadas ao ritmo circadiano, neurotransmissores e áreas reguladoras do sono e da orientação temporal.
1. Alteração do relógio biológico (ritmo circadiano)
O mecanismo mais aceito envolve disfunção no Núcleo supraquiasmático, localizado no Hipotálamo.
Esse núcleo funciona como o “relógio central do cérebro”, regulando:
ciclo sono–vigília
secreção hormonal
temperatura corporal
níveis de alerta ao longo do dia
Nas demências ocorre:
degeneração neuronal nessa região
perda da sincronização com a luz ambiental
alteração na produção de Melatonina
Consequência
O cérebro perde a capacidade de reconhecer que é noite, gerando:
confusão temporal
inquietação
desorganização comportamental no final do dia.
2. Redução da melatonina
A Melatonina é o hormônio responsável por preparar o organismo para o sono.
Em pessoas com Doença de Alzheimer ocorre:
redução significativa da secreção noturna
atraso no pico de liberação
menor sensibilidade dos receptores
Resultado
pior qualidade do sono
aumento da agitação noturna
maior probabilidade de desorientação ao entardecer.
3. Degeneração do sistema colinérgico
A demência também provoca perda de neurônios no Núcleo basal de Meynert, que produz Acetilcolina.
A acetilcolina é essencial para:
atenção
orientação espacial
processamento sensorial
Quando os níveis caem:
o cérebro tem dificuldade em interpretar estímulos ambientais
a iluminação reduzida do fim da tarde aumenta a confusão perceptiva.
4. Sobrecarga cognitiva ao final do dia
Durante o dia o paciente com demência utiliza grande esforço cognitivo para:
interpretar estímulos
reconhecer pessoas
manter orientação
Ao final do dia ocorre fadiga cerebral, levando a:
irritabilidade
menor capacidade de autorregulação
aumento de comportamentos agitados.
5. Alterações sensoriais e ambientais
No entardecer acontecem mudanças ambientais importantes:
diminuição da luz natural
aumento de sombras
mudança de rotina familiar
Para um cérebro com demência isso pode provocar:
interpretação errada de estímulos visuais
ilusões ou Delirium transitório
sensação de ameaça ou insegurança.
6. Alterações em áreas cerebrais da orientação e emoção
A síndrome também está associada à degeneração de regiões envolvidas na orientação espacial e regulação emocional, como:
Hipocampo → memória e orientação
Amígdala cerebral → processamento emocional
Córtex pré-frontal → controle comportamental
A perda dessas funções gera:
maior ansiedade
menor controle de impulsos
comportamento desorganizado no final do dia.
7. Outros fatores que podem agravar
Alguns fatores clínicos também aumentam a probabilidade da síndrome:
privação de sono
dor não identificada
infecções
efeitos de medicamentos
ambiente com pouca iluminação
mudanças de rotina.
Síntese neurobiológica
A síndrome do pôr do sol pode ser compreendida como resultado da interação entre:
degeneração do relógio biológico (núcleo supraquiasmático)
redução de melatonina
déficit colinérgico cerebral
fadiga cognitiva diária
dificuldade em processar estímulos visuais no entardecer
Essa combinação leva ao aumento da desorganização cerebral justamente na transição entre dia e noite.
✅ Referências científicas
Khachiyants N., et al. Sundown syndrome in persons with dementia: An update. Psychiatry Investigation.
Canevelli M. et al. Sundowning in dementia: clinical relevance, pathophysiological determinants and therapeutic approaches. Frontiers in Medicine.
Alzheimer’s Association – Sundowning.
Musiek ES, Holtzman DM. Mechanisms linking circadian clocks, sleep, and neurodegeneration. Science.




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